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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ciência mostra os benefícios que a literatura produz no cérebro



Segundo o The Guardian, um estudo da Universidade de Emory analisou os cérebros dos leitores de ficção literária e comparou-os com o de outras pessoas que não leram esse tipo de livros. 

Os cérebros dos leitores que leram, por exemplo, o livro 'Pompeii', de Robert Harris, durante um período de 9 dias, mostraram muito mais atividade em determinadas áreas do que os daqueles que não leram.


Os investigadores descobriram conectividade intensificada no córtex temporal esquerdo, a parte do cérebro associada à compreensão da linguagem. Na pesquisa foi possível descobrir maior conectividade no sulco central do cérebro, a região sensorial primária.

Os psicólogos David Comer Kidd e Emanuele Castano provaram, que a leitura de ficção literária aumenta a capacidade de detetar e compreender as emoções das pessoas, o que proporciona que façam amizades com mais facilidade por serem mais conscientes das emoções dos outros.

Os leitores deste tipo de livros têm a capacidade de transferir a experiência da leitura de ficção para o mundo real, sendo este um salto natural. Kidd crê que “a ficção não é apenas um simulador de uma experiência social, é uma experiência social”.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Concurso Cultural Feminino de Contos



A UniBrasil está promovendo Concurso Cultural Feminino de Contos com o objetivo (nos termos do Edital) de estimular e valorizar a produção literária de jovens autoras, em comemoração ao mês da mulher.

Trata-se de oportunidade para divulgação de trabalhos literários dotados de criatividade e originalidade, com entrega de prêmios às primeiras classificadas.

As autoras devem ter entre 18 e 35 anos. Inscrições correm de 26 de janeiro e 20 de fevereiro de 2015. Maiores informações e regulamento podem ser obtidos 
em: UNIBRASIL


Fonte: CALL UFPR

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Os 113 de Cecília Meirelles

Cecília Meireles recebeu uma homenagem do Doodle nesta sexta-feira (7)..

A imagem comemora o 113º aniversário da escritora carioca. Cecília foi poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira, além de ter sido considerada uma das vozes líricas mais importantes da língua portuguesa. A imagem do Doodle mostra Cecilia escrevendo sob a luz do luar.


Autora de obras consagradas, como “Ou isto ou aquilo” e “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca. Filha dos portugueses Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil,  e Matilde Benevides Meireles, professora, a escritora carioca ficou órfã muito cedo. Seu pai faleceu três meses antes de seu nascimento, e sua mãe quando ela tinha só três anos de idade. Por isso, foi criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides.

Casada duas vezes, em 1922 com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a se suicidar em 1935, e em 1940 com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinicius da Silveira Grilo, Cecília teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, além de cinco netos. Faleceu aos 63 anos, de câncer, em 9 de novembro de 1964.

Talento de infância
Seu talento para a escrita vem da infância. Aos nove anos, começou a escrever poesia. Completou o curso primário em 1910 recebendo uma medalha de ouro por “distinção e louvor”. Em 1917, com apenas 16 anos, formou-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e passou a exercer o magistério no estado do Rio de Janeiro.

Aos 18, publicou o seu primeiro livro de sonetos, Espectros. E logo fez sucesso por ser uma escritora atemporal. Ou seja, tinha a influência do Modernismo da sua época, mas apresentava também técnicas do Simbolismo, Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Panasianismo, Realismo e Surrealismo. Depois, vieram, em 1923, “Nunca mais… e Poema dos Poemas” e “Baladas para El-Rei”, em 1925.

Entre aulas e poemas, Cecília ainda arrumou tempo para trabalhar como jornalista, de 1930 a 1931, no Diário de Notícias, com uma página diária sobre educação. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em Botafogo. De 1935 a 1938, virou professora universitária na antiga Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ. No mesmo período, colaborou ativamente no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.


Mas foi em 1939, quando lançou “Viagem”, que ganhou ainda mais reconhecimento. Recebeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras. Nos anos seguintes, fez diversas viagens pelo mundo, fazendo conferências sobre Literatura, Educação e Folclore. Na década de 40, lançou seis publicações. Já nos anos 1950, foram 15, incluindo o clássico “Romanceiro da Inconfidência”. Ao todo, mais de 50 obras, entre textos e poesias, foram publicadas pela escritora.

Seu reconhecimento é internacional. Cecília é Sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, Sócia honorária do Instituto Vasco da Gama (Goa), Doutora “honoris causa” pela Universidade de Delhi (Índia) e Oficial da Ordem do Mérito (Chile). Na cidade chilena de Valparaíso, tem até uma biblioteca com seu nome. Em Portugal, nos Açores e em Lisboa, há ruas com seu nome.


Legado internacional

Suas obras foram traduzidas para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner.

As homenagens
No entanto, seu legado é eterno na literatura brasileira. Prova disso é que não faltaram homenagens a ela. Em 1964 mesmo, ganhou o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. 

Em 1974, seu nome foi dado a Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP). Em 1989, uma cédula de cruzados novos com a sua efígie foi feita em sua homenagem. Também em São Paulo, a Biblioteca Infanto-Juvenil, no bairro Alto da Lapa, homenageou a escritora.


Em 2001, o Governo Federal instituiu, por decreto, o ano da Literatura Brasileira. Tal ano foi escolhido por comemorar o sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.

Fonte: Techtudo 


terça-feira, 13 de maio de 2014

Veja a repercussão da morte do escritor Gabriel García Márquez

O escritor colombiano Gabriel García Márquez morreu nesta quinta-feira (17) em sua residência na Cidade do México.
A notícia rapidamente repercutiu nos redes sociais conforme famosos lamentaram a morte do autor de "Cem Anos de Solidão", que lutava contra o câncer.

Dilma Rousseff ‏- presidente do Brasil
"Foi com tristeza que soube da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Dono de um texto encantador, Gabo conduzia o leitor pelas suas Macondos imaginárias como quem apresenta um mundo novo a uma criança. Seus personagens singulares e sua América Latina exuberante permanecerão marcados no coração e na memória de seus milhões de leitores."


Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa Letícia
"Gabriel Garcia Márquez foi um extraordinário escritor, um exímio jornalista, um grande militante das causas democráticas populares e um símbolo para todos nós da América Latina e do mundo. Em seus livros ele retratou com grande talento a realidade e a magia do povo latino-americano. Ele que foi o primeiro colombiano a receber o Prêmio Nobel de Literatura, representou a América Latina em suas obras e por onde passou. Manifestamos nossa solidariedade aos parentes, amigos e milhões de admiradores do nosso querido Gabo."


Vargas Llosa - escritor vencedor do Prêmio Nobel e rival de Gabriel García Márquez
"Morreu um escritor, cujas obras deram grande difusão e prestígio à literatura da nossa língua. Seus romances sobreviverão a ele e continuarão ganhando leitores por toda parte. Envio minhas condolências a sua família."


Nélida Piñon - escritora e amiga de Gabriel García Márquez
"É uma perda difícil para todos. Uma perda que evoca grandes memórias. Mas pelo menos podemos nos conformar com a ideia que podemos preencher esse vazio com a grande obra que ele nos deixou."


José Mujica - presidente do Uruguai
"Para os que sonham com a possibilidade de construir um mundo melhor, (García Márquez) também vai deixar um companheiro das utopias, das utopias que os homens sonham e anseiam e que nos dão sentido para viver."


François Hollande - presidente da França
"Um gigante da literatura que deu brilho mundial ao imaginário de todo um continente. Mestre do realismo fantástico, recriou em seus romances barrocos e poéticos uma América Latina sonhada e deu à literatura hispânica uma de suas maiores obras-primas, 'Cem Anos de Solidão'. Seus artigos de jornalista comprometido e seu infatigável combate contra o imperialismo o transformaram em um dos intelectuais sul-americanos mais influentes de nosso tempo."


Milton Hatoum - escritor
"Um escritor que renovou a linguagem."


João Ubaldo Ribeiro - escritor
"Foi um dos maiores escritores da literatura ocidental que transformou o olhar da ciritco sobre a América Latina."


Barack Obama - presidente dos EUA
O mundo perdeu um dos maiores escritores visionários. Eu recebi uma cópia autografada de Cem Anos de Solidão no México que irei guardar para sempre."


Representantes das Farc
"Perde Colômbia, perde o mundo pelo falecimento de Gabo. Suas obras salvaguardam sua memória. Confortamos sua família neste momento." 


Bill Clinton - ex-presidente dos Estados Unidos
"Sempre me assombraram seus dons únicos de imaginação, clareza de pensamento e honestidade emocional. Ele capturou a dor e a alegria humanas na forma tanto real quanto mágica."


Enrique Peña Nieto - presidente do México
"Em nome do México, expresso meu pesar pelo falecimento de um dos maiores escritores de nosso tempo: Gabriel García Márquez. Com sua obra, García Márquez tornou universal o realismo mágico latino-americano, marcando a cultura de nosso tempo. Nascido na Colômbia, por décadas fez do México o seu lugar, enriquecendo nossa vida nacional. Descanse em paz."


Luís Fernando Verissimo - escritor
"Uma grande perda. Um grande escritor latino-americano muito identificado com o realismo mágico. É um escritor universal apesar de identificado com a América Latina. Lido e entendido em qualquer lugar. Ele era um escritor muito criativo em inventar histórias e situações e isso encantava seus leitores. Ele tinha humor, mas era muito mais que um humorista, ele usava o humor em função de uma uma visão de mundo que ia muito além."


Jaime Abello Banfi - diretor da Fundação Gabriel García Márquez para um Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI)
"Nosso querido Gabriel García Márquez se foi fisicamente, mas permanecerá vivo entre nós através de suas ideias, seus textos, sua memória em milhões de pessoas que o amam no mundo todo e o legado representado no trabalho de suas fundações e escolas de jornalismo e cinema".
Por isso, a FNPI assume "com seriedade e entusiasmo, pelas mãos de professores e aliados, a responsabilidade de que a cada dia mais jornalistas de região ibero-americana possam conhecer suas ideias, estudá-las, aplicá-las e inclusive questioná-las".
"Lembraremos dele como um criador genial, um ser humano cheio de sabedoria, humor e ternura, um trabalhador incansável, que soube nos mostrar que a melhor maneira de aproveitar uma trajetória de vida é seguindo a vocação pessoal, com a teimosia e disciplina que dão base para o talento e a paixão".


Eduardo Galeano - escritor uruguaio e autor de "As Veias Abertas da América Latina
"Há dores que sofremos calados. Sofremos calados mas doem igual. Como nos dói a morte de 'Gabo'. O que mais dói são as belas palavras que a morte nos tomou, nos roubou. Acredito que elas, as palavras roubadas, escapam a menor distração, fogem das páginas dos livros de Gabo e sentam ao nosso lado em algum café de Cartagena, Buenos Aires, Montevidéu ou aqui no Rio de Janeiro".


Gilberto Gil ‏- cantor
"Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz" - G G Márquez. "Aprendi que todo mundo quer viver no topo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma como ela é escalada" - G. Márquez


Ferreira Gullar - poeta
"É lugar comum dizer que foi um grande escrito. Ele não é apenas um grande escritor, ele é um escritor excepcional com um enorme poder criativo. A contrario do que se dizer que a literatura revela a realidade, a literatura inventa a realidade. Ele criou um mundo novo, como todo grande escritor . A nossa américa é outra coisa depois que surgiu o realismo mágico."


Juan Manuel Santos - presidente da Colômbia
"Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos! Solidariedade e condolências a Gaba e sua família."


Ian McEwan - escritor
"Ele era único".


Roberto DaMatta - escritor
"É uma grande tristeza para todos que amam a literatura. A pessoa humana dele morreu, mas os livros permanecem. Os livros são como túmulos, você abre a página e de dentro sai uma pessoa. O que mais me impressionava é que eu não conseguia parar de ler. Eu lamento muito a perda pessoal é uma lástima."


Rafael Correa - presidente do Equador
"Gabo se foi, teremos anos de solidão, mas suas obras e amor pela Pátria Grande (América Latina) permanecem. Até a vitória sempre, Gabo querido!"

Eduardo Galeano - escritor uruguaio
"O que mais dói está nas belas palavras que a morte nos tirou das mãos e nos roubou. Eu acho que elas, as palavras roubadas, escapam à menor distração, fogem das páginas dos livros de Gabo e sentam ao nosso lado em algum café de Cartagena, Buenos Aires ou Montevidéu. Ou aqui, no Rio de Janeiro"


Guillermo Arriaga - escritor, diretor e roteirista
"Morreu o grande escritor Gabriel García Márquez. Uma perda enorme para a literatura universal." 


Shakira ‏- cantora
"Querido Gabo, alguma vez disseste que a vida não é o que se vive, é o que se recorda. Tua vida, Gabo, recordaremos como um presente único, como o mais original dos relatos. É difícil despedir-nos de você, porque nos deram tanto! Te levarei para sempre comigo e com todos que te admiramos."


Monica Martinez - autora de "Professor de ilusões"
"Gabriel García Márquez foi uma das maiores influências para mim em termos de narrativa. Primeiro, porque ele combinava as técnicas literárias às jornalísticas. Seu "Relato de um Náufrago" é uma obra-prima do uso da intuição (o de que ainda havia o que contar) à narrativa propriamente dita, sempre elegante, sem uma palavra fora de lugar. Eu gosto muito de lembrar como ele percebeu seu estilo literário: ao ler Kafka, quase caiu do sofá onde estava lendo, maravilhado que fosse possível fazer aquele tipo de literatura, a fantástica. Eu acho que suas principais qualidades como escritor foram a ousadia -- ao idealizar o realismo fantástico -- e a persistência -- afinal, levou muito tempo até ser reconhecido. Acho também que ele foi incentivador de novos talentos, com seu estímulo à Fundacion para El Novo Periodismo Latinoamericano. De seu trabalho fica o exemplo de que nem tudo está inventado no quesito narrativa. Quem será o próximo a sacudir a literatura?"


Ivana Arruda Leite - autora de "Falo de mulher", "Eu te darei o céu" e "Hotel novo mundo"
"Entrei na literatura fantástica pelas mãos de Gabriel García Márquez e me encantei com seu universo fantástico, sim, mas assustadoramente real e próximo da realidade. Aqueles velhos, aquelas cidades, aquele amor sideral me era muito familiar. Ficamos mais tristes sem o Gabo, mas resta-nos o consolo de sua obra."


Michelle Strzoda - editora da Babilonia Cultura Editorial
"Gabriel García Márquez realmente tem peso na minha vida. O primeiro autor que traduzi, o mexicano David Toscana, tem estilo inspirado em García Márquez e Cervantes, sobretudo. Uma coisa que percebo é que o García Márquez não é muito lembrado por sua obra jornalística. Acho que todo estudante de jornalismo ou jornalista de profissão tinha de ler suas crônicas, um primor de texto. Se tinha um cara que era fiel às suas convicções políticas, culturais, jornalísticas e transpirava isso em sua literatura era o García Márquez. Macondo [o povoado onde se passa "Cem anos de solidão"] é uma grande metáfora do mundo."


Ricardo Lísias - autor de "Divórcio", "O céu dos suicidas" e "O livro dos mandarins"
"O Gabriel García Márquez foi sem dúvida um dos responsáveis por fazer a América Latina ter uma literatura sem grandes dívidas com a europeia, o que criou um patamar novo para o continente. Tenho muito interesse pela literatura latino americana, e a obra dele é central, claro."


Noemi Jaffe - autora de "A verdadeira história do alfabeto" e "Todas as coisas pequenas"
"Acho que ele fundou uma linguagem latino-americana, que funde o maravilhoso e o político. "Cem anos de solidão" foi fundamental para mim, me iniciou nas possibilidades da literatura penetrar o absurdo, fiquei chocada quando li. Não sabia que era possível inventar tanto e tão bem."


Ollanta Humala Tasso - presidente do Peru
"A América Latina e o mundo inteiro sentirá a partida desse sonhador. Descanse em paz Gabriel García Márquez em Macondo."


Otávio Linhares - autor de "Pancrácio" e editor da revista literária Jandique e do selo Encrenca
Acho que o meu contato com García Márquez é da ordem do inominável. Nunca tivemos encontros marcados. Nunca entendi porque nunca li um livro dele. E olha que vira e mexe me tenho com um livro dele em mãos. Mas ele sempre me escapa. Talvez por eu não ter coragem de encarar e me afundar na piscina 'escurabissal' dos seus olhos. Olhos lúdicos de enxergar um outro mundo. Acho que é esse olhar infante. E sei que será destruidor e fascinante dialogar com ele. Meu medo é de que seja bom."


Jorge Kajuru - jornalista
"Gabriel García Márquez deixa um raro legado. O conheci com João Saldanha. Ser, humano."


Juan Pablo Montoya ‏- piloto colombiano
"Gabriel Garcia Marquez! Meus mais sinceros pêsames à sua família e amigos! A Colômbia perde uma grande pessoa!"


Juanes - cantor colombiano
"Vai-se o maior de todos, mas sua lenda imortal fica... Obrigado, Gabriel García Márquez."


James Franco - ator
"100 anos de solidão- Gabriel Garcia Marquez Nós nunca vamos esquecer!!!"


Débora Nascimento - atriz
"Luto e agradecimento. Gabriel García Márquez."


Pe Lu - músico da banda Restart
"Mudou minha forma de enxergar o mundo…Porra Gabriel, ainda não era hora."


Jean Wyllys - deputado
"A partir de agora, cem anos de solidão e muitas memórias de minhas putas tristes..."


Gabriel Chalita - escritor
"Um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se. Gabriel García Márquez."


Deborah Secco - atriz
"Aprendeu e ensinou! Marquez, com quem aprendi tanto... Descanse em paz!"


Christine Fernandes - atriz
"RIP Gabriel García Marquez, um dos meus autores favoritos de todos os tempos..."


Marcelo Tas - apresentador
"Obrigado, Gabriel García Márquez."


Angélica Morango - jornalista
"Do Gabriel García li Memória de Minhas Putas Tristes, e gostei bastante. acho que ele tinha um quê de Jorge Amado."


Otaviano Costa - ator
"Solidão, Gabriel."

Sabrina Parlatore - apresentadora
"Um dos livros mais lindos que já li! Obrigada pela companhia inspiradora, Garcia Marques!"


Leilane Neubarth - jornalista
"Dói a morte de García Marquez, o homem que deu vida ao realismo fantástico."


Arlindo Grund - apresentador
"RIP Gabriel García Marquez."


Oscar Filho - ator
"Gabriel Garcia se foi... Uma pena. Cem Anos de Solidão é o melhor livro que eu li. Chorei copiosamente no final."


Rita Guedes - atriz
"Cem anos de solidão foi um livro que marcou minha vida. Thanks Gabriel."


Britto Jr ‏- apresentador
"A vida está nos olhos de quem saber ver." Gabriel Garcia Márquez se foi, mas deixou seus pensamentos."


Luciana Gimenez - apresentadora
"Talento. Saudades."


Lena Dunham - atriz, roteirista e cineasta americana
"Uma vez fiquei com alguém simplesmente porque achei que ele poderia estar relacionado com Gabriel García Márquez. Que lindo escritor! RIP."


Fafá de Belém - cantora
"O meu [livro] preferido: 'Amor nos Tempos de Cólera'."


José Miguel Insulza - secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA)
"A luta política que marcou a região durante tantas décadas também não esteve ausente de sua narrativa, e isso o tornou maior ainda, porque defendeu as causas mais justas, se identificou com nossos desejos democráticos e se mostrou como um homem sem medo perante o poder. Transformou em mágico o real e cativou, com sua prosa magistral e a força de seu espírito, a imaginação de homens e mulheres de diferentes idiomas, raças, credos e ideologias. Deu um estilo imperecível à nova literatura latino-americana e a transformou em universal. Minhas condolências à família do escritor, ao povo e governo da Colômbia e a todos aqueles que, na América Latina e no mundo todo, hoje choram sua partida."


Barbara Mori - atriz mexicana
"Gabriel García Márquez, descanse em paz"


Luis Alberto Moreno - presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
"Com a morte de Gabriel García Márquez, a Colômbia e o mundo perdem uma de suas mais importantes vozes literárias. Nos despedimos de um grande artista, amigo e ser humano. Sua obra vai continuar transcendendo fronteiras, inspirando várias gerações no mundo."


Miguel Barnet - escritor cubano
"Os escritores cubanos sofrem com essa grande perda e irreparável. Gabo amou Cuba e Cuba o amará sempre. Poucos escritores desta época como García Márquez revelaram em um espelho mágico os lados mais preciosos da mitologia latino-americana. Com a poesia de José Lezama Lima e a obra de Juan Rulfo, Gabo traçou um arco luminoso de metáforas que identificaram essa dimensão da complexa espiritualidade do continente. Foi um jornalista atento à convulsa realidade quase viveu com uma posição vantajosa sobre outros contemporâneos porque foi porta-voz da alma popular."


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Escritor Gabriel García Márquez morre aos 87 anos


O escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, morreu nesta quinta-feira (17), aos 87 anos, em sua residência na Cidade do México. O autor de clássicos da literatura universal como "Cem Anos de Solidão", que enfrentou um câncer linfático em 1999, chegou a ser internado no mês passado com infecção pulmonar e a saúde bem debilitada. A causa oficial da morte ainda não foi divulgada.
Em sua página do Twitter, a jornalista e amiga Fernanda Familiar confirmou a morte do escritor: "Deixa de bater o coração de Gabriel García Márquez", escreveu ela na rede social. Um dos primeiros a repercutir a perda foi o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que decretou luto. "Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos", disse o representante do país.  
Considerado o escritor de língua espanhola mais popular desde Miguel de Cervantes, no século 17, García Márquez alcançou celebridade literária que gerou comparações com clássicos das letras universais como Mark Twain e Charles Dickens. Suas obras ficcionais extravagantes e melancólicas --entre elas "Crônica de uma Morte Anunciada", "O Amor nos Tempos do Cólera" e "Outono do Patriarca"-- superaram em vendas qualquer outra publicação em língua espanhola, com exceção da Bíblia.

O romance épico "Cem Anos de Solidão" vendeu mais de 50 milhões de cópias em mais de 25 idiomas. Publicado em 1967, é um dos exemplos principais do chamado realismo fantástico e marcou um boom da literatura latino americana que durou duas décadas. A obra narra a saga de gerações da família Buendí e foi "o primeiro romance em que os latino-americanos se reconheceram, que os definiu, que celebrou sua paixão, sua intensidade, sua espiritualidade e superstição, sua grande propensão ao fracasso", disse o biógrafo Gerald Martin à agência Associated Press.


Ao receber o Nobel, em 1982, García Márquez descreveu a América Latina como uma "fonte de criatividade insaciável, cheia de tristeza e beleza, do qual este errante e nostálgico colombiano não é mais que uma fração, destacada pelo destino. Poetas e mendigos, músicos e profetas, guerreiros e malandros, todas as criaturas daquela realidade desenfreada, deixaram pouco a extrair da imaginação, porque nosso problema crucial tem sido a falta de meios convencionais para tornar nossa vida verossímil".


Biografia
Gabo, como era carinhosamente chamado, nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, na Colômbia. Criado pelos pais de sua mãe, cresceu ouvindo as histórias de seu avô, Nicolas Márquez, veterano da Guerra Civil colombiana, enquanto sua avó, Tranquilina Iguarán, costumava lhe contar lendas que misturavam fantasia e realidade. Essas narrativas foram fundamentais para que mais tarde o garoto se tornasse escritor.


As histórias de seus avós se tornariam também material para a ficção de García Márquez, e Aracataca inspirou Macondo, a vila cercada por plantações de banana no pé das montanhas da Sierra Nevada, onde "Cem Anos de Solidão" se passa. "Minha família me contou muitas vezes que comecei a recontar histórias e coisas assim quase desde que nasci", contou García Márquez em uma entrevista. "Desde que comecei a falar".

García Márquez  foi enviado a um internato estatal na região de Bogotá, onde se tornou um estudante exemplar e leitor voraz, com preferência por Hemingway, Faulkner, Dostoiévski e Kafka. Ele publicou sua primeira obra de ficção, como estudante, em 1947, enviando um conto ao jornal "El Espectador" depois que seu editor literário escreveu que "a geração mais jovem da Colômbia não tem mais nada a oferecer em termos de boa literatura".

Na juventude, começou a faculdade de direito, após pressão do pai, na Universidade Nacional, em Bogotá, mas logo abandonou o curso e rumou para o jornalismo. Tornou-se um dos primeiro críticos de cinema da Colômbia e passou a ter uma importante influência na cena cultural do país. Na profissão, trabalhou em países como Venezuela, Cuba e Estados Unidos, o que ajudou a forjar a sua consciência esquerdista – por conta dela, viria a ter frequentes conflitos com um outro Nobel, o peruano Mario Vargas Llosa.

Enquanto atuava em jornais, esboçou os seus primeiros contos e uma extensa reportagem sobre o sobrevivente de um naufrágio na costa colombiana resultou no livro "Relato de um Náufrago", hoje tido como um exemplo de bom jornalismo literário. Ao lado de escritores incluindo Norman Mailer e Tom Wolfe, García Márquez também foi um pioneiro da narrativa de não-ficção que se tornaria conhecida como New Journalism ou Novo Jornalismo.

García Márquez sofreu uma forte represália oficial à sua história sobre como a corrupção do governo contribuiu para o desastre narrado em "Relato de um Náufrago". A ditadura tomou o poder e García Márquez se transferiu para a Europa. Depois de visitar a parte oriental controlada pelos soviéticos, mudou-se para Roma em 1955 para estudar cinema, uma paixão que manteve por toda a vida. Em seguida, mudou-se para Paris, onde viveu entre os intelectuais e artistas exilados de muitas ditaduras latino-americanas da época.


Ele voltou à Colômbia em 1958 para casar-se com Mercedes Barcha, sua vizinha de infância, com quem teve os filhos, Rodrigo, que é diretor de cinema, e Gonzalo, designer gráfico. Em 1960, muda-se para o México e intensifica sua produção artística. Em 1961, lança "Ninguém Escreve ao Coronel" e, em 1962, "O Veneno da Madrugada", que lhe renderia, na Colômbia, o Prêmio Esso de Romance. "Cem Anos de Solidão" chegaria em 1967 para consagrá-lo como grande romancista.


Sua obra-prima faz com que seus lançamentos passem a ser tomados por grande expectativa e coloca a América Latina e o Realismo Fantástico no centro do cenário literário mundial. Conseguiu ainda emplacar outros grandes sucessos, como "Crônica de Uma Morte Anunciada", de 1981, "O Amor nos Tempos de Cólera", de 1985, e "Notícias de um Sequestro", de 1996. Seu último romance, "Memórias de Minhas Putas Tristes", foi publicado em 2004.

Pobre e esfarrapado durante grande parte de sua vida adulta, García Márquez foi transformado por sua fama e riqueza tardias. Um "bon vivant" com personalidade travessa, o escritor era um anfitrião gracioso, que contava histórias longas, com animação, para os hóspedes. Ferozmente protetor de sua imagem, uma característica compartilhada por sua esposa, ele ocasionalmente se rendia a um temperamento explosivo quando se sentia menosprezado ou deturpado pela imprensa.

O autor, com suas sobrancelhas grisalhas e espessas e seu bigode branco, passou mais tempo na Colômbia em seus últimos anos, fundando seu instituto de jornalismo na cidade portuária de Cartagena, onde mantinha uma casa. Em 1998, já em seus 70 anos, García Márquez realizou um sonho, ao usar o dinheiro de seu Nobel para se tornar acionista majoritário da revista colombiana "Cambio". Antes de adoecer com câncer linfático em junho de 1999, o autor contribuiu prodigiosamente para a revista. "Eu sou um jornalista. Sempre fui um jornalista", disse à AP na época. "Meus livros não poderiam ter sido escritos se eu não fosse jornalista, porque todo o material foi retirado da realidade".

O homem político
Como muitos escritores latino-americanos, García Márquez transcendeu o mundo das letras. Desde cedo, Gabo tornou-se um herói para a esquerda latino-americana, aliando-se cedo ao líder revolucionário cubano Fidel Castro e criticando as intervenções violentas de Washington, do Vietnã ao Chile. Seus textos perfilaram o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, além de retratarem como traficantes de cocaína liderados por Pablo Escobar abalaram o tecido social e moral de sua Colômbia natal, sequestrando membros da elite, tema de "Notícias de um Sequestro".

A escrita de García Márquez foi constantemente informada por seus pontos de vista esquerdistas, forjados em grande parte por um massacre de militares a trabalhadores bananeiros em greve contra a United Fruit Company (mais tarde, Chiquita) em 1928, perto de Aracataca. Ele também foi muito influenciado pelo assassinato, 20 anos mais tarde, de Jorge Eliécer Gaitán, candidato presidencial esquerdista em ascensão.


1980 - Gabriel Garcia Marquez e Fidel Castro
Apesar de os Estados Unidos terem negado visto de entrada ao escritor seguidas vezes por conta de suas posições políticas, ele foi cortejado por presidentes e reis e contava Bill Clinton e François Mitterrand entre seus amigos. García Márquez criticou o que considerava uma perseguição política injusta de Clinton por suas aventuras sexuais. O próprio Clinton lembrou em uma entrevista à AP em 2007 de ter lido "Cem Anos de Solidão" quando estava na faculdade de direito e não ter sido capaz de entendê-lo, nem mesmo nas aulas. "Eu percebi que este homem havia imaginado algo que parecia uma fantasia, mas era profundamente verdadeiro e  profundamente sábio", disse o ex-presidente dos EUA.


Ao longo da vida, García Márquez recusou ofertas de postos diplomáticos e tentativas de o lançar à presidência da Colômbia, embora tenha se envolvido nos bastidores das negociações de paz entre o governo da Colômbia e os rebeldes de esquerda.

Os últimos anos
Os últimos anos de vida de Gabo foram marcados por relatos sobre problemas de memória , que não foram confirmados oficialmente. As aparições públicas de García Márquez também foram mais escassas, apesar de ele continuar a socializar com amigos.

Em março deste ano, quando fez 87 anos, o escritor foi homenageado diante da imprensa por amigos e simpatizantes, que lhe deram bolo e flores do lado de fora de sua casa, em um bairro de elite na Cidade do México. Na ocasião, o autor mostrou-se sorridente, recebeu presentes e tirou fotos, mas não falou com os jornalistas. Nos últimos anos, restringiu ao máximo suas aparições em público e declarações por motivos de saúde.